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Por Renã Leite Pontes
Era a hidra feroz, esquartejei-a,
lacei o javali das “Terras Altas”.
matei de besta as mil bestas peraltas,
flechei até Celene, a bicha feia.
Venci quem cumpre e quem capitaneia,
fiz Hera deglutir suas risadas...
foi retirando pedras calcinadas
que o Alfeu desaguou naquela aldeia.
Olhei severo aqueles olhos rudes.
rangeu a barca sob os pés sidéreos.
passei por provas de vicissitudes.
Com méritos cheguei além da oitava.
cumpri doze trabalhos, todos férreos;
tornei-me o que ninguém acreditava.
Imortal?
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Por Renã Leite Pontes
Tétis, a mãe de Aquiles, a quem quis
imortal, além do bem e do hades.
tentastes ocultar certas verdades:
quem faz a guerra não será feliz!
Por que destes ao grego o cetro, a lança,
sabendo que ele só matar sabia?
banhastes o guerreiro aquele dia,
de sorte e morte e triste aventurança.
Quem tomba de um só golpe, em tenra idade,
em dura briga por mulher alheia,
decerto imortaliza a vaidade,
Bem albergada desde a puberdade...
espalha seus projetos pela areia;
alija-se do dom da piedade.
PONTES, Renã Leite. Diálogos (An) Versos. Belém-PA: Editora Paka Tatu, 2010. Sonetos, poesia e prosa poética.

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