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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Tora Solitária: No Dia Seguinte


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Por Renã Leite Pontes

Era tardinha do dia 07 de dezembro de 2011.

Por estas horas e a esta altura,
Enquanto no senado federal
Faz-se aprovado o novo código florestal,
Eis-me aqui
Presa em cabo de aço a um “caminhão de tora”
Que não rima com vida,
Que não rima com nada,
Mas me mantém aprisionada
As pranchas das minhas irmãs ancestrais
Que, antes de mim, pau por pau, se obrigaram:
A dar a folhas para salvar a sombra...
- A sombra é para os espertos! –
Dar a sombra para salvar a essência,
Dar a essência para salvar a seiva,
Dar a seiva para salvar o fruto,
Dar o fruto para salvar as cascas,
Dar as cascas para salvar o tronco,
E, por fim, dar o tronco para forrar o pântano
Da dissimulação,
Com âmago, algo assim,
Tão rígido e impenetrável...
Como um calmante desesperado
Tragado
Com quatro dedos bem gordos de gim.

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